segunda-feira, 12 de abril de 2010

A pequena...

Ela tinha cabelos aos caracóis caídos sobre os ombros e fazia escapar um sorriso em alguns momentos pelos quais esperava sempre ansiosa. Ansiosa por aquela presença, por aqueles pequenos dias que pareciam ser um sonho numa noite bem maior do que as outras. Ela não sabia sorrir com vontade, aquela vontade que sai bem do fundo, via o mundo por uma janela e as pessoas que passam lá fora nem davam por ela.
Ela não queria acordar do sonho, mas quando sentia os sobressaltos da partida , a pequena queria ser grande e forte para não chorar à despedida. A sua coragem aguentava até que os seus olhos largassem o que nunca pode ter a tempo inteiro. Depois bem escondida e com tempo o seu desabafo em lágrimas aliviava o coraçãozinho e tentara ela desde cedo perceber o porquê? Tentara ela lidar com a perda e muito mais com a saudade.
A pequena já não é assim tão pequena, mas a saudade aperta da mesma forma,  talvez com um pouco mais de calma, de maturidade…mas com o mesmo vazio, com o mesmo sentimento de impotência. O ter e não ter estão de mãos dadas na vida dela.
A pequena continua a ter os caracóis caídos sobre os ombros e a esperar que não a acordem dos sonhos que agarra com tanta ternura…
Presa à mão que lhe deram ela adormece agora bem mais calma.

1 comentário:

  1. Linda nem sei k comente desta vez...
    O sentimento k passaste faz-nos pensar muito (pelo menos a mim fez), fiquei mesmo sem palavras.

    Beijinho

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